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Quando abandonamos as lamentações, só nos resta mudar

Lamentar é diferente dos outros verbos, pois não propõe ação. Se analisarmos com calma outros verbos, como andar, cantar e lutar, teremos nas entrelinhas dos seus respectivos significados a ideia de movimento, de mudança de estado e de sensações que não se aplicam a lamentação. Se desmembrarmos a palavra lamentação, temos a ação de lamentar. Lamentar pressupõe fincar raízes naquilo que nos desapontou ou que pelo menos deveríamos ter feito, mas por outra decisão não fizemos. Em outras palavras, lamentar não propõe mudança, movimento ou sequer transformação e sim uma inércia sem fim. Manter-se em inércia, diante das mudanças que temos que realizar em nossas vidas, nos impossibilita sair do estado indesejado para o estado que almejamos. Nenhum pré-requisito da lamentação nos desloca da inércia ao movimento necessário as mudanças, mas quanto   desapegamos das raízes que nos fincam aos motivos que lamentamos, o movimento em direção ao que desejamos, é a nossa única alternativa. ...

Uma águia feita de água

          Tornasse um balzaquiano, por si, não é uma atividade fácil, pois, sem que percebamos, temos três décadas de aprendizagem, conflitos, fantasmas e vivências que, inevitavelmente, nos proporcionam a oportunidade de se atritar com a vida, e desta sentença, tirar ensinamentos. O balzaquiano, além do fardo das décadas que recaem sobre seus ombros, ainda sofre com um intenso processo de mudança similar ao das águias.             As águias, ao chegarem à metade do percurso de suas vidas, se deparam com um duro processo de renovação que se não encarado, a morte é a sua única opção. Metaforicamente, balzaquianos e águias se parecem, ambos durante os primeiros trinta anos do percurso de suas vidas, sofrem com a renovação ou morrem pelas velhas competências, convicções ou habilidades.               Como balzaquiano existen...

SONETO DO PRIMEIRO MÊS

"Lembro-me ardentemente Do primeiro dia em que lhe vi... Em teus braços envolventes, Sem perceber me prendi... Foste a coisa mais linda, Numa paixão de tudo e de si mesmo... És o ar da poesia, És o verso do soneto! Passaram-se trinta dias, setecentas e vinte horas... De prazer e de alegria, De amor a toda hora! E a hora é agora, de dizer-te uma vez mais... Que sem ti não há sentido, Que sem você não há PAZ!" (Pedro Israel)

SONETO DO SONHO REAL

“Em meus sonhos resplandeces reluzente... O teu calor e teu amor a cada instante... Ès aurora em meu firmamento presente... Numa mágica e inebriante forma... Desejo-te se cessar, E por longo instante, Ei de perder-me completamente Em teu amor constante! Embriago-me em teu cheiro, em teu perfume exalante... És a Alma mais linda... És amor prestante... Sinto-me perfumado por tua alma errante... Embevecido e apaixonado... Por ti a todo instante!” Pedro Israel

SONETO DA ALMA PERFUMADA

Oh minha alma... quanto do teu cheiro satisfaz-me agora Procurei-te por toda parte para que fosse minha oh alma... Exala seu perfume no calor intenso e como a dama da noite, na hora crespucular, me preenches por inteiro. Resedás, caliandras e manacás nada se iguala ao teu envolvente ar Envolvo-me em seu olhar, sobre sua boca e seu amar Embaraço-me nos teus braços, nos beijos e laços.. Em tua pela macia, ardente e felina... Para que sejas minha oh alma... Perfumada e sorridente Árdil e complacente... (Pedro Israel)

Saudade de quem nunca existiu

Depositar expectativas em quem nunca existiu é, simplesmente, está abraçado com a ilusão e recoberto pelo manto da decepção... Barganhar expectativas ilusórias em algo que não se projetou é cair do décimo quinto andar sem paraquedas... A saudade tempera a vida quando a falta não é ausência... Se boicotar com a entorpessência da fantasia do que não existe é projetar na realidade o que nunca se concretizará... Retrocessos cíclicos vão... Progressos pífios vêm... Dani-se por completo e estabeleça moradia na incoerência... Dani-se e perca a credibilidade que nunca teve... Dani-se e perca o referencial entre o que difere os coerentes do mau caratismo... Dani-se pelo o que convém e perca o que discorda e faça o que não se quer... Dani-se no o que é que tem e seja imagem e semelhança... Por fim, só a desistência de uma competição tola que só afirma um status bruzundanga pobre de espírito...    Por fim, o afeto que cega, sobra, embora, não seja um barco sem r...

Diário de um balzaquiano existencialista

Primeiro dia: 18/05/2012                                          “Transeunte angustiado”  Fortaleza, 18 de julho de 2012            Pode parecer estranho, mas o segundo dia da semana para todas as outras pessoas, para mim, soou como o primeiro de algumas licenças, dada, a minha rotina diária que é, antes de mais nada, escravizada por excessos vazio tão pertinentes para a sobrevivência no século XXI.            Licenciar-se de um veículo em uma grande cidade, como Fortaleza, pode parecer, no mínimo, loucura, porém tornasse uma grande oportunidade para buscar atrito como os espaços públicos. Atrito no sentido de se vasculhar e pular da inércia do conforto que a rotina nos pro...